Direto de Chambery, França, Lulu manda notícias.
"De volta à França (ja que lá se vão 6 meses desde a última vez), juntei-me ao meu clube daqui, Les Eléphants Volants (Os Elefantes Voadores), para um preguinho de inverno na meca do parapente da Savoie: Verel, um sítio de voo que fica a 10 minutos de onde moro.
Meia hora de caminhada na neve até chegar à decolagemA decolagem era um tapete fofo branco de 40 cm de neve. Lindo, lindo! Quando chegamos à decolagem, havia uma bufinha de cauda, o que não ajuda muito quando há neve. Enquanto esperávamos que a térmica residente na cara da decolagem acordasse, me inteirei sobre as técnicas para se decolar na neve. Esta foi minha segunda experiência na neve, a primeira, há dois anos, não foi muito bem sucedida.
Eu e Ricou, o autor das fotos e mestre de cerimônias de VerelNinguém estava muito animado para decolar, então resolveram que eu seria a biruta: se eu conseguisse decolar, era porque qualquer um conseguiria. No final das contas dois pilotos locais decolaram antes de mim. O ruim de decolar primeiro é que só se tem a neve fofa pela frente, quem decola depois se aproveita da trilha feita pelo piloto anterior. A decolagem na neve exige alguns cuidados para que se tenha êxito.


Somente eu, Jean-Luc e Berthrand pareciamos empolgados para decolar
Eis algumas dicas, caso um dia venha a nevar no Brasil!
- abrir o parapente contornando a área onde se esticam as linhas, tendo o cuidado de não danificar a superficie onde repousam as linhas. Por que? Porque a neve pisoteada forma pedras e lâminas de gelo que podem prender as linhas, fazendo com que a vela suba assimetricamente. Isto tem o mesmo efeito de galhinhos e plantinhas em nossas decolagens naturais;
- abrir o parapente contornando a área onde se esticam as linhas, tendo o cuidado de não danificar a superficie onde repousam as linhas. Por que? Porque a neve pisoteada forma pedras e lâminas de gelo que podem prender as linhas, fazendo com que a vela suba assimetricamente. Isto tem o mesmo efeito de galhinhos e plantinhas em nossas decolagens naturais;
- fazer uma trilha, como uma trincheira, até a extremidade da decolagem para que se possa correr sem afundar na neve fofa. Eu não fiz minha trilha até o fim;
- fazer um pequeno “assento” que vai servir de apoio para a selete;
- deve-se preservar a área onde as linhas ficarão em contato com a neve.
Resultado: na hora em que minha trilha acabou e que eu pisei na neve fofa, afundei e me desequilibrei, quase caindo de cara no chão. Sorte que eu corri mais do que nunca e levantei a mão (vídeo deste post)! Apesar do frio e da neve, o voo não foi nem de longe um prego. Peguei térmicas ótimas, sendo uma de +3,2! Voei exatamente 1h05, só pousei porque eu não tinha mais sensibilidade nos dedos. Estavam congelados!"
